A VOLTA

Criado: Domingo, 02 October 2011

   Já disseram que voltar é uma forma de renascer e que ninguém se perde no caminho da volta. É uma verdade. Incontestável.

   E quando se volta para a própria casa onde nascemos ou vivemos a  infância e adolescência, a emoção é grande demais. Enorme. Não importa o motivo das partidas. O importante é fazer o caminho de volta. A volta ao verdadeiro solo pátrio, ao convívio dos familiares e amigos. Que emoção pisar o solo da Mãe Terra! E emoção das emoções é entrar na velha casa, naquela casa impregnada de tantas emoções, saudades, lembranças, sentimentos.

 

   Nada se compara à emoção da volta, seja em que circunstância se dê essa volta. Nada se  compara ao prazer de sentar na velha cadeira de balanço gemedeira, de deitar na velha cama com o colchão já gasto, de pegar nos velhos talheres já tortos, de sentir os odores, cheiros e perfumes daquele que sempre foi o nosso lar.

 

   Há várias músicas que recorda as nossas casas e as voltas para elas, por motivos diversos ou apenas uma idealização. Uma delas é de Raul Sampaio, cantada por Roberto, "Meu Pequeno Cachoeiro" (recordo a casa onde eu morava...). Mas a que mais me emociona, embora eu não tenha vivido da mesma forma a aventura narrada na música, é "O Portão", de Roberto e Erasmo, aquela que ele começa dizendo que o cachorro lhe sorriu latindo. Mas a parte que acho um achado poético emocionante, é quando ele canta: "fui abrindo a porta devagar, mas deixei a luz entrar primeiro e todo o meu passado iluminei...". Um arraso.

 

   Quantos de nós não já voltamos para casa e vivenciamos cenas parecidas com a dessa canção?!!! Eu quando voltava para a casa do meu pai adorava tudo, até as manchas de umidade nas paredes. Infelizmente, como acontece com muita gente, a casa do meu pai não existe mais, virou estabelecimento comercial ou similar. Mas para mim ela virou sentimento. Ficou na minha mente e no meu coração. Quanto eu não daria para poder voltar àquela casa!  Para lá zanzar no seu corredor, dar chutes numa bola de borracha no muro, comer uma romã, brincar com nosso cachorro King, ficar na janela vendo a movimentada Japiassu, enfim, sentir aquele calor do lar dos meus pais, aquela zorra gostosa, os momentos lindos da minha infância e adolescência.

 

   Eu sei que os mais novos riem desse tipo de recordação. Mas um dia eles vão sentir a emoção da volta e principalmente a da saudade, afinal as emoções familiares mesmo desgastadas ainda são fortes.

 

   Apenas para fechar esta croniqueta e fugir um pouco do passado, nada como lembrar outra música que fala da volta, aquela volta tão bem definida no samba de Maurício Tapajós e Paulo Sérgio Pinheiro, interpretado por Simone que começa assim: "pode ir armando o coreto, e preparando aquele feijão preto que eu tô voltando...". Viva a volta.