A ESCOLA DO TEMPO DO RONCA

Criado: Sábado, 05 May 2012

Quando eu estudava o curso primário no Centro Educativo Leonardo Couto, em Arcoverde, o equivalente ao Rui Barbosa, em Pesqueira, havia a exigência - toda semana - dos alunos se  submeterem a um ditado de 30 linhas do livro de leitura e, ainda, a escreverem uma carta, uma descrição ou uma composição, também de 30 linhas, além da leitura em público de um trecho desse danado livro de leitura. Havia ainda uma sabatina de aritmética. Era obrigatório, ninguém podia se esquivar, nem dando parte de doente, no que eu era especialista mas nunca lograva êxito. Era preciso estudar, saber ler, entender o que lia, escrever e fazer contas, as tais operações fundamentais, inclusive frações.

Tenho a mais absoluta certeza, amigos, que o pouco que aprendi a escrever, principalmente meus escritos para os jornais, a rádio e o blog, eu devo àqueles exercícios escolares. E também eles foram indispensáveis para que fosse aprovado no concurso do BNB. Fui um bom aluno no primário, só desbundei para a malandragem no ginasial.

Pena é que hoje esse tipo de exercícios não sejam hoje tão estimulados como ontem, no nosso querido tempo do ronca. Entendo que as épocas são diferentes. Não posso negar os avanços tecnológicos, inclusive essa excitação em torno dos tablets (é a febre das escolas em Pernambuco). Uma pergunta não pode calar: de que serve saber manejar o tablet se o aluno não consegue escrever um mísero bilhete? De que adianta essa maquininha se  o aluno ainda conta nos dedos? Que adianta essa ferramenta se o aluno lê mal e não compreende o que lê?

 Eu sei e admito plenamente que precisamos atualizar o ensino de acordo com as novas tecnologias. Mas não se pode abandonar o essencial: o ensino daquilo que é fundamental: ensinar a ler, escrever e contar.

Tem mais: não se pode deixar de estimular os jovens a pensar, a alinhar suas idéias, a questionar as coisas. Sem se fazer isso, jamais o jovem vai adquirir cultura. Do jeito que estão fazendo querem mesmo é idiotizar em grande escala os jovens.

Reconheço que não tenho currículo que me dê condições para criticar o sistema educacional, não sou gestor  (o diretor de escola ganhou agora esse apelido), nem professor, nem intelectual. No entanto, camaradas, talvez porque seja um rebelde pela própria natureza, não me contenho ante o quadro de mediocridade por que passa o ensino no nosso país. Quando comparo o ensino fundamental de ontem com o de hoje, sou obrigado a dizer que o ensino do tempo do ronca  era muito mais eficiente. Sim, porque o aluno do primeiro grau, que terminava a quinta-série, saía da escola sabendo ler corretamente, entendendo o que leu,escrevendo razoavelmente, fazendo as quatro operações fundamentais, resolvendo problemas, inclusive com frações, com noções de ciências e conhecimentos de história e geografia. Os jovens de hoje que concluem o segundo grau saem sem saber ler direito e, pior, sem entender o que leram, escrevendo mal, sem conseguir escrever um bilhete, contando nos dedos e são um zero em conhecimentos gerais. Há exceções, admito.

Por tudo isso, gente, sinto saudades da escola do tempo do ronca. A minha geração foi privilegiada. Seria bom que as autoridades da área da Educação refletissem sobre este fato. Não se pode deixar  de avaliar o ensino do passado, que se atualize o ensino, mas ensinando de verdade. O tablet é um ferramenta que não dispensa o aprendizado tradicional. Muita gente precisa sossegar a periquita na sua excitação sobe a prioridade da tecnologia. São uns tremendos cafonas. Viva a escola do tempo do ronca.