Chegou fevereiro

Criado: Quarta, 03 February 2010

Passados o corre-corre do final de ano e a monotonia de janeiro, começa a cair a ficha de que estamos em pleno ano novo e fevereiro está chegando com gosto de gás.

Quem é de Pesqueira, tem logo no início do mês, a festa de SANT’ÁGUEDA, padroeira do município, que mesmo não sendo mais festejada como antigamente, serve para que os fiéis renovem as suas demonstrações de fé. Outros aproveitam para rever parentes e amigos.

Falar em fevereiro e carnaval leva-nos a um samba feito no início da década de 70 por Wando e Nilo Amaro: “O Importante é Ser Fevereiro”. E é mesmo!

Aliás, temos que reconhecer que em fevereiro ocorre a culminância do carnaval, uma vez que a folia começa bem antes das datas oficiais estabelecidas pelo calendário.

Sem querer correr o risco de afirmar que os carnavais que se brincava nos anos 50, 60 e 70 eram melhores de que os atuais, diríamos apenas que eram bem diferentes e quem era chegado à folia podia escolher o horário e a modalidade que mais lhe conviesse.

Quem gostava da agitação, do banho nas ruas, do entrudo, de seguir os blocos, as troças e brincadeiras afins, tinha para onde ir tanto de manhã, como à tarde.

Por outro lado, se o folião era do tipo mais quieto e romântico, a melhor pedida era comparecer aos bailes nos clubes, onde normalmente havia muita animação.

Esta opção custava uns trocados a mais, porque os clubes não dispunham de grandes salões e isto tornava o preço das mesas e das senhas individuais um pouco salgadas para o bolso do brincante. Era também a época ideal para os músicos ganharem uma graninha extra.

Mas compensava participar. Nos clubes dos Radicais e dos 50, por exemplo, tocavam boas orquestras. No repertório não podiam faltar os frevos de rua: Mordido, Fogão, Vassourinhas, Baba de Moça, Três da Tarde, Lágrimas de Folião, Corisco e tantos outros, que eram intercalados por frevos cantados (canção), sendo os mais interpretados Voltei Recife, Boneca, É Frevo Meu Bem, Você Está Sozinha, Passei no Vestibular, Trombone de Prata, A Lua Disse, Segure o Seu Homem, Menina de Hoje, Tá Faltando Alguém e outras jóias.

Para abrandar o calor e o cansaço dos músicos e dos foliões, as marchinhas e os frevos de bloco se constituíam na melhor alternativa. E haja coração para ouvir, cantar e se deleitar com A Jardineira, Evocação nº 1, Bandeira Branca, Máscara Negra, Pó de Mico, O Teu Cabelo Não Nega, A Cabeleira do Zezé, Saca Rolha, Cachaça, Ressaca, Cidade Maravilhosa, A Dor de Uma Saudade, Eu Não Vou, Vão Me Levando, Tem Nego Bebo Aí e Turma do Funil.

É evidente que as pessoas que hoje brincam o carnaval, não conhecem a maioria das músicas citadas nesse comentário recheado de saudosismo. Mas, fazer o quê? Cada um conta a história de acordo com o que vivenciou.

Os meus carnavais foram assim, pois nos tempos de criança, mesmo sem participar, presenciei algumas brincadeiras e a memória registrou para sempre a beleza das fantasias e a poesia das marchinhas cantadas pelos componentes dos blocos líricos, na maior demonstração de romantismo e espontaneidade, coisas que quase não se vê mais nos carnavais que se brinca atualmente. Hoje, infelizmente, prevalecem o barulho dos trios elétricos e as “coisas” cantadas que pouco ou nada têm a ver com música carnavalesca.

Mesmo assim, nem tudo está perdido. Ainda dá para tirar proveito e se divertir nos carnavais atuais, pois apesar de bem menos do que deveriam, os seus organizadores estão aos poucos, fazendo com que as tradições voltem a fazer parte dos festejos de momo.

E VIVA O ZÉ PEREIRA/ POIS A NINGUÉM FAZ MAL
VIVA A BEBEDEIRA/ NOS DIAS DE CARNAVAL.