O ANIVERSÁRIO DE PESQUEIRA

Criado: Quinta, 15 April 2010

Neste dia 20 de abril, Pesqueira completa cento e trinta anos de sua elevação à categoria de cidade. Consideramos que a data de aniversário, seja de uma pessoa ou cidade, além de ser festejada, deve ser um dia apropriado para reflexão.

Lamentavelmente, pelo fato de ficar colado ao feriado dedicado à Inconfidência Mineira e pela grande incidência de feriados no País, o aniversário de Pesqueira fica ofuscado e até prejudicado, uma vez que as atividades econômicas têm dificuldades para suportar tamanha quantidade de dias inativos.

Infelizmente, ainda existe muita gente desinformada falando em emancipação política. Mais uma vez lembramos: Pesqueira não se emancipou.

Em 1762, a aldeia Arorubá, foi elevada a vila e sede do Município que passou a se chamar Cimbres. Em 13 de maio de 1836, segundo os historiadores, pelas suas condições econômicas, por oferecer melhor situação de hospedagem e maior facilidade de acesso, a povoação de Santa Águeda, situada ao sopé da Serra do Ororubá, foi transformada em sede do município de Cimbres.

No dia 20 de abril de 1880, com o nome de Santa Águeda de Pesqueira, foi elevada à condição de cidade, sendo oficialmente declarada sede do município, de acordo com a Lei 1484.

O nome de Pesqueira foi adotado em 1913, por decisão do Conselho Municipal e está diretamente ligado à existência da Fazenda do Poço do Pesqueiro (ou de Pesqueira), fundada pelo capitão-mor Manoel José de Siqueira.

No final do século 19, Pesqueira começa a despontar como centro industrial, com a instalação de indústrias de doces e mais tarde de derivados do tomate.

Em meados da década de sessenta, as nossas indústrias começaram entrar em dificuldades e foram encerrando as suas atividades. Coube às mais tradicionais - Rosa e Peixe - nos anos noventa, depois de passarem por várias mudanças no seu quadro de acionistas e diretores, fecharem de forma definitiva esse ciclo econômico que projetou o nosso município nos cenários nacional e internacional.

Pesqueira, hoje, vive etapas de transição econômica e ainda não encontrou o seu rumo certo, ficando, consequentemente, na dependência de improvisações e medidas inócuas que não inspiram maior confiabilidade em relação ao seu futuro.

A grata surpresa vem sendo o crescimento do nosso comércio. O artesanato baseado na renascença vem contribuindo substancialmente com a nossa economia.

O turismo religioso, que seria a nossa atividade redentora, deixa muito a desejar, por falta de maiores investimentos dos setores públicos. Falta infraestrutura.

Louve-se, para se fazer justiça, a melhoria do setor hoteleiro da cidade, iniciativa que não é correspondida por ações governamentais capazes de gerar a devida sustentabilidade, fator imprescindível a esses empreendimentos.

Todos sabem que uma cidade que pretende viver do turismo não pode ostentar a fisionomia tão maltratada como a que Pesqueira mostra há bastante tempo.

Não há como negar o seu crescimento, mas isto ocorre de forma tão desordenada, que a torna extremamente feia. Parece um retrato mal tirado, numa moldura inadequada. Precisamos, para o bem de Pesqueira, repensar com o carinho de filhos, as nossas ações em relação à querida terra. Não há mais tempo a perder.