EU PROMETO

Criado: Segunda, 23 August 2010
O brasileiro está habituado ouvir as quatro conjugações verbais durante o ano, segundo a época, evento ou acontecimento que estiver ocupando a grande mídia.
De janeiro a fevereiro, por causa do carnaval, o que mais ouvimos são os verbos sambar, brincar, frevar, beber, sair, desfilar, curtir e vai por aí afora.
De março a maio, devido à quaresma e às celebrações do Mês de Maria, escutamos muito as pessoas falarem em rezar, orar, ajudar, jejuar, doar, pregar, noivar, casar, etc. e tal.
Aí, chega junho. Só se fala em forrozar, festejar, paquerar, namorar, dançar, comer, soltar, queimar, tudo por causa do São João e do dia dos namorados.
Julho, por ser o mês das férias escolares, é tempo de descansar, viajar, folgar, passear, excursionar, conhecer. Nada de estudar.
Em ano eleitoral, entre os meses de agosto e outubro, os nossos ouvidos são “premiados” com verdadeiras pérolas saídas da boca dos políticos. Votar, fazer, crescer, mudar, trabalhar, ganhar, apoiar, empregar, investir, governar e realizar figuram entre as palavras que enfeitam as promessas de cunho meramente eleitoreiro.
Mas o rei de todos os verbos conjugados pela classe política pertence à segunda conjugação: PROMETER. Este, pelo fato de ser muito pronunciado, acaba resultando em um verbo da primeira conjugação, bem comum aos candidatos: ENGANAR.
Meu Deus, quanta cara de pau! E o mais grave é que sempre caímos na conversa e acabamos sendo enganados pela lábia recheada de falsas promessas. Como somos ingênuos!
Dá para acreditar em tantas promessas se o que mais se escuta dos governantes é que faltam verbas. Mas aí, eles enfeitam a conversa com as clássicas palavras: vamos projetar, viabilizar, disponibilizar, tentar e haja papo furado para justificar a não realização de obras prometidas em campanhas passadas ou esquecidas pelos adversários.
Querem um exemplo? As obras do PAC estão todas atrasadas. Existem estados em que não atingiram nem 10% (dez por cento) do que foi projetado. Qualquer dúvida em relação ao que estamos afirmando é só dar uma olhadinha nos jornais.
Se as nossas estradas estão, há mais de três décadas, em estado de abandono, a saúde pública uma calamidade, o sistema penitenciário totalmente obsoleto e deficitário, os serviços de esgotos, tratamento e distribuição de água muito aquém das reais necessidades da população, as cidades com baixo índice de ruas pavimentadas e as prefeituras falidas, como podemos esperar que tantos milagres sejam alcançados de um dia para o outro?
Calma gente, devagar com o andor. Senhores candidatos, sejam mais moderados nas promessas, pois o povo, segundo dizia Dom Helder Câmara, não é bobo não. “O Povo pensa”.
Mais cedo ou mais tarde, a mentira, por ter pernas curtas, vem à tona, e o estrago nas urnas pode ser proporcional ao número de promessas feitas apenas com a intenção de iludir o eleitor que por falta de líderes reais e representantes de verdade, se deixa enganar por frases bonitas e bem produzidas por marqueteiros que faturam verdadeiras fortunas.
E por falar em promessas, eu prometo não votar nos candidatos que prometem obras inviáveis, nos oportunistas e principalmente, nos gastadores e barulhentos. Os que gastam muito nas campanhas, certamente se forem eleitos, sabem como recuperar os investimentos feitos. Quanto aos que fazem muita zoada, não respeitando nem as escolas, há muito estão fora da minha lista. Já que ninguém toma providência, punindo esses infratores, eu mesmo puno.


 

Walter Jorge de Freitas