Pesqueira, 146 anos hoje
É impossível na data do aniversário de nossa Terrinha não lembrar, do nosso passado, do tempo que Pesqueira nos criou e como ela nos criou, como ela nos protegeu, nos oferendo Grupo Escolar, Colégio, Indústria e Família e tudo isto dentro de um único contexto: Educação e Cultura.
Não tem como não lembrar, da infância, da adolescência a imitar os adultos, que nos protegiam, mas, que logo seríamos iguais a eles. Além das Escolas, tinham os Clubes, as Festas Tradicionais Religiosas – São João, São Pedro, Santa Águeda – bem como, a menos religiosa: o Carnaval, tão enraizada no nosso povo.
Pesqueira também não só vivia de Escolas, de indústrias e de Igrejas, tinha lá também seus Cabarés, suas Bodegas, seus Bares, seus Artistas, seus Professores e Intelectuais, seus Doidos e seus Grupos Folclóricos.
Não quero aqui ficar me referindo só ao passado, alimentando o saudosismo, que eu nem disso gosto, quero deixar claro que este passado, que essas coisas boas foram importantes para a nossa Cidade, mesmo que estejam perdendo seus espaços para uma nova sociedade, que não tem mais este mesmo passado, que não se importam mais com ele que foi tão feliz e tão saudável, porém, isto não nos impede de deixar de amar esta Terrinha do coração, chamada Pesqueira.
Escrito por Cláudio Maciel
Presente de Pareceiros
Tomar uma cervejinha em Pesqueira no inverno, naquele friozinho, aumenta muito a vontade de ir ao banheiro urinar e no Bar de Ronaldo, que nem banheiro tem, a coisa piora e muito. Aí depois de ir várias vezes ao banheiro, uns engraçadinhos começaram a soltar pilhérias:
– Zeca, tu estás mijando muito, vamos te dar um pinico de presente.
– Opa!....Eu aceito, mas, só se for pinico de ágata.
– Ô Zeca, tu queres o pinico de quem?
– Bolou né de quem não, é de que(?)..... De ágata: são aqueles de ferro, brancos, bem pesados, que parecem de louça.
– Agora tá certo. Pensei que você tava dizendo que era o da minha vizinha: “Ágata” Vitória.
O carnaval de Pesqueira e Pernambuco
O passo do tempo e o som dos Caetés: O carnaval que nos une
Pernambuco não celebra o Carnaval; Pernambuco é o Carnaval. No Recife e em Olinda, a folia não se pede licença, ela toma conta das calçadas como uma força da natureza. É uma cultura forjada no suor do frevo, no peso do maracatu e naquela anarquia organizada que faz o estado parar por uma semana. Aqui, a festa é resistência e identidade, um mosaico de cores que, ano após ano, reafirma que o nosso solo é fértil para a arte em todas as suas formas.
Dos sets de filmagens às ruas de pedra
Essa efervescência cultural, que o mundo já conhece pelas ladeiras, ganhou um novo fôlego midiático recentemente. A passagem de Kleber Mendonça Filho e sua equipe pelo estado para a gravação de "O Agente Secreto" trouxe os holofotes de volta para a nossa arquitetura e para a nossa atmosfera única.
O filme, estrelado por Wagner Moura, não apenas movimentou a economia local, mas serviu como uma vitrine global da nossa estética urbana e do nosso "jeito de ser". A mídia nacional e internacional voltou seus olhos para Pernambuco, curiosa para entender o que faz deste lugar um cenário tão pulsante, seja para uma trama de suspense dos anos 70, seja para a maior festa de rua do planeta. O cinema e o Carnaval bebem da mesma fonte: a nossa vocação para o espetáculo.
A magia que sobe a serra: Pesqueira
E se o frevo nasce no litoral, ele ganha contornos ancestrais quando subimos a Serra do Ororubá. A ligação entre essa visibilidade cinematográfica e a tradição é intrínseca. Afinal, quem busca a alma de Pernambuco, a mesma que Kleber Mendonça captura em suas lentes, inevitavelmente encontra o Carnaval de Pesqueira.
Pesqueira é onde o Carnaval se torna místico. Enquanto o Recife vibra com as multidões, a "Terra dos Caiporas" oferece uma experiência que é puro cinema vivo. Ver os Caiporas, figuras icônicas cobertas por palha e tecidos, correndo com seus chicotes e sacos, é entender que o Carnaval pernambucano é um organismo vivo, diverso e profundamente ligado ao interior.
A mídia que chega pelo cinema acaba por iluminar esses tesouros escondidos. Quem se encanta com as cores do estado na tela grande, descobre em Pesqueira uma das festas mais autênticas e simbólicas do Brasil. É o elo final de uma corrente que une a tradição secular, a modernidade das câmeras e a alegria indomável do nosso povo.
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